Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

25 de julho é Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola que resistiu com bravura à escravidão por cerca de duas décadas e se tornou uma Rainha. Tereza de Benguela tomou a frente da liderança do Quilombo de Quariterê depois da morte de seu companheiro, José Piolho. Documentos do período atestam que o Quilombo acolheu mais de cem pessoas, entre 79 negros e 30 indígenas. Localizado no Vale do Guaporé (MT), esse Quilombo resistiu da por décadas, de 1730 até o final do século XVIII. Tereza de Benguela foi capturada por soldados em 1770 e morta.

Em 2017, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha faz referência à luta das mulheres contra o feminicídio, por reparações à comunidade negra e contra as reformas que estão destruindo os direitos das trabalhadoras brasileiras, sobretudo, das mulheres negras.

O Brasil é o 5º país que mais mata mulheres no mundo. Estamos atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. São 13 mulheres vítimas de homicídio por dia, segundo dados de 2015 que podem (e devem) ser lidos no Mapa da Violência elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) de 2015. De acordo com o Mapa da Violência de 2015, entre 2003 e 2013, o aumento do número de assassinatos de mulheres negras foi de 54,2%, enquanto houve uma diminuição de 9,8% para as mulheres brancas no período.

Mais dados que mostram a vulnerabilidade de mulheres negras também podem ser lidos na pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que resultou no Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil. Este Dossiê mostra que as mulheres negras apresentam os menores índices de escolaridade, os menores salários, ainda que tenham a jornada diária de trabalho mais extensa. Mostra também que as negras estão, majoritariamente, em empregos informais, sem garantia de direitos trabalhistas. Além disso, entre elas encontra-se o maior percentual de chefia de famílias monoparentais.

Todos esses estudos mostram como é difícil ser mulher no Brasil. E como é mais difícil ainda ser mulher negra no Brasil. Precisam ser analisados e colocados em perspectiva. É importante que a luta por direitos se paute por essas questões.



“SER MULHER. SER NEGRA. SER RESPEITADA”
(LuNa Vitrolira)

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